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O que os squads podem fazer por sua empresa

Além de um pouco mais de alegria e música para as nossas vidas o Spotify trouxe, também, um chacoalhão nas estruturas tradicionais de trabalho no mercado da transformação digital. O que começou dentro da empresa, naturalmente, espalhou-se pelo Vale do Silício e já vem ganhando boa representatividade no Brasil – principalmente no universo das startups.

 

O foco da metodologia reside na entrega de resultados rápidos e assertivos. Isso acontece a partir da dissolução daquilo que sempre conhecemos como setores da empresa e da construção do que chamam de Squads (“Esquadrões” em português).

 

Os squads são as unidades básicas de desenvolvimento do Spotify, formados por equipes multidisciplinares que possuem como foco a resolução de um problema específico, como por exemplo: squad de melhoria nas soluções de pagamento. Essas unidades tem como uma das principais características a autonomia para alcançar os resultados desejados – contando com profissionais de diferentes áreas dentro da mesma equipe fica mais fácil imaginar e analisar todas as possibilidades e dificuldades que o mercado oferece.

A ideia para o funcionamento de um squad se assemelha grandemente ao de uma startup, encorajando a equipe a aplicar os conceitos da startup enxuta como o MVP, por exemplo. Dentro de cada equipe não existe um líder geral, propriamente dito, mas sim um Product Owner, responsável pelo andamento geral dos projetos e sempre levando em consideração os aspectos tecnológicos e administrativos envolvidos.

 

Um mundo além dos squads

 

Naturalmente o funcionamento de uma empresa não se baseia somente na formatação das equipes em squad – é necessário que hajam outros tipos de interação interna para que o negócio rode bem como um todo. Por esse motivo, além dos squads existem as Tribes, Chapters e Guilds.

 

As Tribes (ou Tribos, em português) são grupos de squads que trabalham em áreas determinadas. Por exemplo: existe uma Tribe de infraestrutura e, dentro dela, estão presentes os diversos squads que atendem às diferentes demandas desse universo. Simples, não é? Assim como nos squads, as tribes também possuem seus guias e normalmente ocupam os mesmos lugares físicos a fim de facilitar e estimular a troca de informação.

 

O interessante deste tipo de divisão é que a autonomia volta a aparecer e as trocas de experiências são bastante fomentadas. Uma curiosidade é que o Spotify indica que as tribes tenham no máximo 100 funcionários pois, seguindo o conceito conhecido como “Dunbar Number,” esse é o número máximo de pessoas com as quais um indivíduo consegue manter relações saudáveis e mais informais dentro de um ambiente de trabalho.

 

Sobre os Chapters e Guilds

 

Para garantir que a comunicação dentro das tribes seja sempre efetiva, sugere-se a implementação dos Chapters, que asseguram a troca de informações entre os squads – são a cola que mantém todo o processo unido. Funcionam como pequenas famílias que possuem habilidades parecidas e trabalham dentro das mesmas competências em diferentes squads de uma mesma tribe. É através dos Chapters que a empresa garante acesso às economias de escala – ou seja, aquelas que visam a máxima utilização dos recursos para aumento de rentabilidade e incremento de produtos e serviços.

Os Guilds funcionam dentro da mesma ideia porém conectando tribes diferentes e obtendo, desta prática, informações e insights valiosos para a empresa de maneira geral. Há grande valor a ser adquirido da troca constante de conteúdo entre áreas diferentes e complementares e é justamente com este foco que as Guilds operam. As reuniões arquitetadas pelos Guild Coordinators (coordenadores das Guilds) são abertas a qualquer pessoa da empresa que tenha interesse em aprender ou debater um pouco mais sobre o assunto abordado.

Não é difícil entender porque este formato ganhou o coração do Vale do Silício, e, naturalmente vem se espalhando pelo mundo. Com aplicações constantes dos conceitos da economia colaborativa, a metodologia de trabalho que começa na constituição de squads promete resultados rápidos, efetivos e muito satisfatórios. Estes resultados se estendem da empresa para as equipes envolvidas, uma vez que elas se sentem donas e responsáveis pelo projeto ao qual dedicam tempo, garantindo o máximo de esforço para fazer a roda girar.

 

Mais uma vez – como se o acesso a todas as músicas do mundo não fosse suficiente – obrigado, Spotify!

Paula Takahashi
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